Comunicação Social no Equador
O Equador de todos os povos é um dos menores países da América do Sul. Dotado de uma diversidade cultural e natural extraordinária, abriga uma população de 12 milhões de habitantes, dos quais mais de 60% pertencem a povos indígenas.
Uma riqueza natural extraordinária foi gravemente afetada no país pela pior de todas as tragédias ambientais: A destruição da Amazônia do Norte pela exploração do Petróleo. O julgamento da Texaco é uma prova da gravidade dessa situação.
O Equador é também conhecido por uma vida política em que nós, indígenas, temos sido atores contundentes e pacíficos na construção da democracia. Em 1992, uma marcha de mais de dez dias, resultou em uma vitória histórica aos indígenas amazônicos: o reconhecimento de seus direitos territoriais.
Desde então, temos lutado pacificamente pela sobrevivência da Amazônia e pela nossa própria sobrevivência, porque dependemos dessa.
Os grandes interesses econômicos das empresas multinacionais tem sido a causa de um desconhecimento irreparável de nossos direitos. Os sucessivos governos neoliberais têm sido rejeitados por não garantir os direitos fundamentais dos povos do Equador. Três presidentes do Equador foram objeto de uma interrupção de mandato sem que fosse derramada sequer uma gota de sangue. Dois deles estão exilados por corrupção.
No dia 20 de janeiro, nós, povos indígenas, retornaremos aos nossos caminhos legítimos de protesto e de exigência de respeito e garantia de nossos direitos e dos equatorianos de modo geral. Uma grande mobilização se dará em todo o país. Exigimos a não imposição em nosso país da exploração de minerais a céu aberto: a experiência de outros países nos confronta a irreparável e irreversível destruição do ecossistema, a contaminação de importantes e fundamentais bacias e fontes de água, a perda da capacidade de produção dos solos na agricultura, e as graves conseqüências para a saúde de todos.
Com a entrega dos países a empresas de mineração, se questiona fortemente a soberania nacional e se indeferiu todos os pedidos de diálogo.
Nós seremos milhões se manifestando pelos direitos reconhecidos e garantidos pela Constituição Política do Equador, no convenio 169 da OIT (Organização Internacional dos trabalhadores) e na declaração da ONU pelos Direitos dos Povos Indígenas. Por isso, nós temos sido ameaçados, nosso protesto tem sido criminalizado e estigmatizado por altos órgãos do governo, através de discursos e posicionamentos racistas. Temos sido violentamente reprimidos por exercer o direito a resistência. O mundo deve saber que lutamos pelo direito a vida de todos e do planeta.
Nós seremos milhões a nos manifestar para exigir respeito e direitos fundamentais, a água, a terra e territorios, a nao ser deslocados. Lutamos pelo direito de viver em um meio ambiente saudável e livre de contaminação. Lutamos pelo direito a vida dos últimos povos livres que vivem na Amazônia sem contato com a sociedade dominante; estes povos estão ameaçados de desaparecer pela pretensão governamental de explorar petróleo em territórios ancestrais. Um genocídio está sendo anunciado, e a humanidade não deve permiti-lo.
Lutaremos sempre pela vida e pela dignidade de todos os povos.
Janeth Cuji
Conselho da CONAIE.
martes, 20 de enero de 2009
Suscribirse a:
Enviar comentarios (Atom)
No hay comentarios:
Publicar un comentario